sábado, 29 de agosto de 2015

FLÁVIO JOSEFO TRECHOS INTERESSANTES

O NASCIMENTO DE MOISÉS.

. Um hebreu de nome Anrão, muito estimado entre os seus, vendo que a sua mulher estava grávida, ficou muito preocupado, por causa do edito que iria exterminar a sua nação. Recorreu então a Deus, rogando-lhe que tivesse compaixão de um povo que sempre o havia adorado e fizesse cessar a perseguição que os ameaçava de ruína total. Deus, tocado por aquela oração, apareceu-lhe em sonho e disse-lhe que esperasse: que Ele se lembrava da piedade do povo e da de seus antepassados; que os recompensaria agora, tal como havia recompensado aqueles; que era por essa consideração que os fizera multiplicar-se, desde Abraão, quando este partiu sozinho da Mesopotâmia para a terra de Canaã, a quem Ele cumulou de bens e tornou a mulher fecunda, e os sucessores dele, aos quais outorgou províncias inteiras: a Arábia a Ismael, Troglodita aos filhos de Quetura e o país de Canaã a Isaque; que eles não poderiam sem ingratidão e mesmo sem impieda-de esquecer os felizes êxitos obtidos na guerra pela aliança com Ele; que o nome de Jacó se tornara célebre, tanto pela felicidade na qual viveu quanto pela que legou aos seus descendentes como um direito hereditário, e porque, havendo chegado ao Egito com setenta pessoas somente, a sua posteridade multiplicou-se, atingindo o número de seiscentos mil homens; que se tranqüilizassem, pois teria cuidado de todos em geral e dele em particular; que o filho de que a sua mulher estava grávida era o menino de quem os egípcios temiam tanto o nascimento e por causa de quem faziam morrer todos os meninos dos   israelitas; que ele viria, contudo, felizmente ao mundo, sem ser descoberto pelos encarregados daquela cruel devassa; que ele, contra todas as esperanças, seria criado e educado e libertaria o seu povo da escravidão; que tão grande feito eternizaria a sua memória, não somente entre os hebreus, mas entre todas as nações da terra; que, por mérito dele, o seu irmão seria educado até tornar-se um grande sacerdote, sendo que todos os descendentes deste seriam honrados com a mesma dignidade. Anrão narrou à sua esposa, de nome Joquebede, a visão que tivera, a qual, embora lhe fosse muito favorável, não lhes diminuiu o temor, porque não podiam deixar de se preocupar com a vida do filho. Além disso, parecia inacreditável a grande felicidade a eles prometida. Êxodo 2. Joquebede deu à luz, e viu-se que era verdadeira a predição do oráculo. Foi um parto feliz e fácil, que as parteiras egípcias nem chegaram a conhecer. Criaram secretamente a criança durante três meses. Então Anrão, por causa da ordem do rei, temendo ser descoberto e sofrer juntamente com o filho a pena de morte e com receio de que assim o que lhe fora predito não se cumprisse, julgou conveniente abandonar à providência de Deus a conservação de uma criança que lhe era tão cara. Pensou que poderia conservar o filho em oculto, mas viveriam, ele e o menino, em perigo constante, ao passo que, entregando-o nas mãos de Deus, acreditava firmemente que Ele teria meios de confirmar a veracidade da promessa. Após tomar essa resolução, ele e a mulher fizeram um berço de juncos do tamanho da criança e, para impedir que a água nele penetrasse, revestiram-no de betume. Puseram dentro o menino e colocaram o berço sobre as águas do rio, abandonando-o à Providência. Miriã, irmã do menino, por ordem de sua mãe, foi para o outro lado do Nilo ver o que aconteceria. Deus então mostrou claramente que todas as coisas se realizariam, não segundo os planos da sabedoria humana, mas conforme os sublimes desígnios de sua vontade. Mostrou também que aqueles que pretendem fazer perecer os outros, para proveito próprio ou para segurança particular, são muitas vezes desiludidos em suas esperanças, por mais cuidados de que se cerquem. Os que confiam somente nEle, entretanto, estarão a salvo de muitos perigos, mesmo contra qualquer probabilidade de salvação, como aconteceu a esse menino. Como o berço flutuasse ao sabor das águas, Termutis, filha do rei, que passeava pela margem do rio, avistou-o e ordenou a alguns dos que a acompanhavam que a nado fossem buscálo. Trouxeram-no, e ela ficou tão encantada com a beleza da criança que não se cansava de contemplá-la. Resolveu então tomar o menino aos seus cuidados e mandar educá-lo. De sorte que, por um favor de Deus assaz extraordinário, ele foi criado no mesmo lugar onde queriam a sua morte e a ruína de sua nação.
A princesa logo ordenou que fossem procurar uma ama. Veio uma, porém a criança não quis mamar e recusou todas as outras que lhe trouxeram. Miriã, então, fingindo lá encontrar-se por acaso, disse à princesa: "É inútil, senhora, que mandeis chamar outras amas, pois elas não são da mesma nação que esta criança. Se tomardes uma ama hebréia, talvez ele não sinta aversão". Termutis aprovou a idéia e disse-lhe que fosse procurar uma. Ela foi imediatamente para casa e trouxe Joquebede, que ninguém conhecia, para ser a ama da criança, a qual deu-lhe de mamar. A princesa ordenou-lhe que criasse o menino com todo cuidado e chamou-o Moisés, isto é, "salvo das águas", como sinal de um estranho acontecimento, pois mo, em língua egípcia, significa "água", e isés, "preservado". A predição divina realizou-se inteiramente nele, pois Moisés tornou-se a maior personagem que jamais existiu entre os hebreus. Era o sétimo desde Abraão, porque Anrão, seu pai, era filho de Coate, Coate era filho de Levi, Levi era filho de Jacó, jacó era filho de Isaque e Isaque era filho de Abraão. À medida que Moisés crescia, demonstrava muito mais espírito e inteligência que o permitido pela sua idade. Mesmo brincando, dava sinais de que um dia seria alguém extraordinário. Quando completou três anos, Deus fez brilhar em seu rosto uma tão grande beleza que as pessoas, mesmo as mais austeras, ficavam arrebatadas. Ele atraía sobre si os olhares de todos os que o encontravam e, por mais pressa que tivessem, eram obrigados a parar para contemplá-lo.


DAVI & GOLIAS

1 Samuel 17. Algum tempo depois, os filisteus vieram com um grande exército atacar os israelitas e acamparam entre as cidades de Soco e Azeca. Saul marchou logo contra eles e, tendo-se apoderado de uma colina, obrigou-os a se retirar e acampar em outra que ficava em frente. Havia no exército um gigante de nome Golias, que era de Gate e tinha seis côvados e um palmo de altura. A sua força correspondia ao seu tamanho, e ele estava armado na proporção de uma e de outro. A sua couraça pesava cinco mil sidos, o capacete não era menos pesado e a perneiras, que eram de bronze, estavam em conformidade com o resto. O seu dardo era tão pesado que, em vez de carregá-lo na mão, ele o levava sobre os ombros, e somente o ferro pesava seiscentos sidos. Esse terrível gigante, seguido por uma grande tropa, apresentou-se com esse equipamento no vale que separava os dois exércitos e gritou em voz alta, a fim de que Saul e todos os seus o ouvissem: "Para que travarmos batalha? Escolhei dentre vós alguém com quem eu possa terminar esta questão. O partido daquele que for vencido será obrigado a receber a lei do partido vitorioso. Não é melhor expor somente um homem ao perigo que um exército inteiro?" Ele voltou no dia seguinte ao mesmo lugar, para dizer a mesma coisa. E, durante quarenta dias, continuou a fazer o mesmo desafio. Saul e os seus soldados, não sabendo o que responder, contentavam-se em se apresentar à batalha, mas a luta não se travava. Davi não se achava então no acampamento, porque Saul o restituíra ao pai para retomar o seu ofício de pastor e tinha consigo somente três de seus irmãos. Jessé, todavia, percebendo que a guerra se prolongava demais, enviou Davi aos seus irmãos para levar-lhes diversas coisas e também notícias suas. Golias voltou ao seu lugar de costume, agora mais insolente do que nunca, fazendo mil injúrias aos israelitas, pois nenhum deles tinha coragem de enfrentá-lo. Davi, que nessa hora estava junto de seus irmãos, cumprindo as ordens de seu pai, ficou admirado ao vê-lo falar daquele modo e disse que estava disposto a combater. Eliabe, seu irmão mais velho, irritado, repreendeu-o fortemente e mandou-o voltar para casa e reassumir a custodia dos rebanhos da família. Davi nada respondeu ao irmão, devido ao respeito que nutria por ele, mas disse a alguns dos soldados que não teria medo de aceitar o desafio daquele gigante. Foram contá-lo a Saul, que o mandou chamar e perguntou-lhe se era verdade que assim havia falado. Davi respondeu-lhe: "Sim, majestade, pois não tenho medo daquele filisteu que parece tão temível. Se vossa majestade me permite, não somente destruirei a sua ousadia como ainda o tornarei tão desprezível quanto ele agora parece terrível, e a glória que vossa majestade e o exército terão será tanto maior, porque ele não foi vencido por um homem robusto e experimentado na guerra, mas por um jovem soldado".
Saul admirou-lhe a coragem, mas não se atrevia a confiar uma ação tão importante a alguém daquela idade, principalmente porque o combate era contra um homem de força prodigiosa e de valor comprovado. Davi notou esses sentimentos em sua fisionomia e disse-lhe: "Ouso prometer-vos sem temor, majestade, que serei vitorioso, com a ajuda de Deus, como já o experimentei em outras ocasiões. Pois quando eu vigiava os rebanhos de meu pai, um leão levou um de meus cordeirinhos, e corri atrás dele, arrancando-o de entre os seus dentes. Isso de tal modo o enfureceu que ele se lançou contra mim. Então agarrei-o pela cauda, derrubei-o por terra e o matei. Fiz o mesmo com um urso que atacava os meus carneiros, e não creio que esse filisteu seja mais temível que os leões e os ursos. O que me convence ainda mais, todavia, é que não posso imaginar que Deus tolere por mais tempo as blasfêmias que esse gigante vomita contra Ele e os ultrajes que faz a vossa majestade e a todo o vosso exército. Assim, atrevo-me a garantir que Ele fará a graça de me deixar abater-lhe o orgulho e vencê-lo". Uma ousadia tão surpreendente fez Saul acreditar que o êxito seria de fato real. Orou a Deus, permitiu a Davi combater e deu-lhe na mão o próprio capacete, a couraça e a espada. Como Davi, porém, não estava acostumado a usar armas, ficou atrapalhado e disse ao rei: "Estas armas, majestade, são próprias para vossa majestade, que sabe bem manejá-las, mas não para mim. Isso me obriga, pois, a suplicar-vos muito humildemente a liberdade para combater como quiser". Saul consentiu-o, e assim ele deixou as armas, tomou somente um cajado, a sua funda e cinco pedras, que escolhera no regato e colocara na sua sacola. Desse modo marchou contra Colias, que sentiu tanto desprezo por ele que lhe perguntou, por zombaria, se o tomava por um cão, para vir a ele armado apenas com pedras. Davi respondeu-lhe: "Eu vos tomo por menos ainda que um cão". Essas palavras encolerizaram ainda mais o gigante, que jurou pelos seus deuses esquartejálo em mil pedaços e dar a sua carne para os animais e os pássaros devorarem. Davi retrucou: "Vós confiais em vosso dardo, em vossa couraça e em vossa espada, mas eu confio na força do Deus Todo-poderoso, que deseja servir-se do meu braço para vos abater e para dizimar o vosso exército. Cortarei hoje mesmo a vossa cabeça e darei o resto de vosso corpo como pasto aos cães, aos quais a vossa raiva vos torna semelhante. Então todos saberão que o Deus dos israelitas os protege, que a sua providência os governa, que o seu socorro os torna invencíveis e que nenhuma força ou arma pode impedir a destruição daqueles a quem Ele abandona". O altivo gigante, vendo-o tão jovem e desarmado, escutou essas palavras com maior desprezo ainda e marchou contra ele — a passo, porque o peso de suas armas não lhe permitia andar mais depressa.
Davi, por quem Deus combatia de maneira invisível, avançou corajosamente contra Golias, tirou uma pedra da sacola, colocou-a na funda e lançou-a com tal rapidez que ela, atingindo o gigante no meio da testa, penetrou-lhe a cabeça e o fez cair morto, com o rosto em terra. O vencedor logo correu a ele e, como não tinha espada, serviu-se da do próprio gigante para cortar-lhe a cabeça. O mesmo golpe que fez esse orgulhoso filisteu perder a vida infundiu tal terror no ânimo de todos os outros que eles, não ousando tentar a sorte em uma batalha após verem cair diante dos próprios olhos aquele no qual punham toda a sua confiança, deliberaram fugir. Os israelitas perseguiram-nos com grandes gritos de alegria até a fronteira de Gate e, às portas de Ascalom, mataram uns trinta mil e feriram duas vezes esse tanto. Voltaram para saquear o acampamento, ao qual puseram fogo depois de havê-lo devastado inteiramente. Davi levou a cabeça de Golias e consagrou a Deus a sua espada.

ALEXANDRE O GRANDE E OS JUDEUS


Jado comunicou com grande alegria a todo o povo a revelação que tivera, e todos se prepararam para esperar a vinda do rei. Quando se soube que ele já estava perto, o sumo sacerdote, acompanhado pelos outros sacerdotes e por todo o povo, foi ao seu encontro com essa pompa tão santa e tão diferente da de outras nações até o lugar denominado Safa, que em grego significa "mirante", porque de lá se pode ver a cidade de Jerusalém e o Templo. Os fenícios e os caldeus que integravam o exército de Alexandre não duvidavam de ele, na cólera em que se achava contra os judeus, lhes permitiria saquear Jerusalém e daria um castigo exemplar ao sumo sacerdote. Mas aconteceu justamente o contrário, pois o soberano, apenas viu aquela grande multidão de homens vestidos de branco e os sacerdotes revestidos com os seus paramentos de linho e o sumo sacerdote com o seu éfode de cor azul adornado de ouro e com a tiara sobre a cabeça, que continha uma lâmina de ouro sobre a qual estava escrito o nome de Deus, aproximou-se sozinho dele, adorou aquele augusto nome e saudou o sumo sacerdote, ao qual ninguém ainda havia saudado. Então os judeus reuniram-se em redor de Alexandre e elevaram a voz para desejar-lhe toda sorte de felicidade e de prosperidade. Porém os reis da Síria e os grandes que o acompanhavam ficaram tão espantados que julgaram que ele havia perdido o juízo. Parmênio, que desfrutava grande prestígio, perguntou-lhe como ele, que era adorado em todo mundo, adorava o sumo sacerdote dos judeus. Respondeu Alexandre: "Não é a ele, ao sumo sacerdote, que adoro, mas ao Deus de quem ele é o ministro, pois quando eu estava ainda na Macedônia e imaginava como poderia conquistar a Ásia, ele me apareceu em sonhos com essas mesmas vestes e exortou-me a nada temer. Disse-me que passasse corajosamente o estreito do Helesponto e garantiu que Deus estaria à frente de meu exército e me faria conquistar o império dos persas. Eis por que, jamais tendo visto antes alguém revestido de trajes semelhantes a esses com que ele me apareceu em sonho, não posso duvidar de que tenha sido por ordem de Deus que empreendi esta guerra, e assim vencerei Dario, destruirei o império dos persas, e todas as coisas suceder-me-ão segundo os meus desejos". Alexandre, depois de assim responder a Parmênio, abraçou o sumo sacerdote e os outros sacerdotes, caminhou no meio deles até Jerusalém, subiu ao Templo e ofereceu sacrifícios a Deus da maneira como o sumo sacerdote lhe disse para fazer. O sumo sacerdote mostrou-lhe em seguida o livro de Daniel, no qual estava escrito que um príncipe grego destruiria o império dos persas e disse-lhe que não duvidava de que era dele que a profecia fazia menção. Alexandre ficou muito contente. No dia seguinte, mandou reunir o povo e ordenou que dissessem que favores desejavam receber dele. O sumo sacerdote respondeu que eles suplicavam permissão para viver segundo as suas leis e as de seus antepassados e isenção, no sétimo ano, do tributo que lhe pagariam nos outros anos. Ele concordou. E, tendo eles também pedido que os judeus que moravam na Babilônia e na Média desfrutassem os mesmos favores, ele o prometeu com grande bondade e disse que se alguém desejasse servir em seus exércitos ele permitiria a tal pessoa viver segundo a sua religião e observar todos os seus costumes. Vários então alistaram-se.





6 comentários:

  1. Muito bom estes trechos do livro historia dos hebreus.
    Achei de uma importancia gigante para quem quiser enriquecer seus conhecimentos
    A paz

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  2. Acho que todo pregador ministros e quem deseja conhecer mais deveria ter josefo com fonte confiável de pesquisa.
    esta atitude de colocar trechos do livro é plausível.
    Parabéns.

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    1. Obrigado pela visita que o Deus criador lhe Abençoe
      graça e paz.

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  3. adoro fazer pesquisas em a historia dos hebreus adorei parabens

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